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Montagem fotográfica com uma balança da justiça

APEP comemora a aprovação na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei da Reforma Tributária

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Ponto de vista APEP
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Equipe APEP
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A aprovação do texto da reforma tributária trouxe certo alívio aos fundos de pensão, especialmente com a isenção dos impostos IBS e CBS. A APEP, ao lado da Abrapp e Anapar, atuaram firmemente no convencimento dos deputados para que essa isenção fosse incluída no texto. Agora, o projeto está no Senado para discussão de sua regulamentação e pode sofrer alterações.

Nesta entrevista, Marcia Fernandes Kopelman, diretora da APEP, fala sobre a atuação da Associação junto aos deputados e sobre as vantagens que os fundos de pensão terão com a isenção tributária.

Conexão (CX): Márcia, qual a sua opinião sobre a aprovação na Câmara dos Deputados que isenta os fundos de pensão do pagamento do IBS e CBS?

Márcia Fernandes (MF): A reforma tributária visa simplificar, tornar justo e eficiente o sistema de impostos. A isenção para fundos de pensão, entidades sem fins lucrativos que administram aposentadorias, foi recebida positivamente pela APEP. A nossa associação contribuiu para ajustar o texto para garantir a sustentabilidade fiscal e o desenvolvimento desses fundos. A isenção de impostos IBS e CBS traz alívio tributário, reduzindo custos operacionais e incentivando investimentos. Isso pode levar ao aumento da competitividade, sustentabilidade dos planos e melhorar a atratividade para novos participantes. A isenção reflete o reconhecimento da importância dos fundos na previdência social e cria um ambiente mais favorável ao seu crescimento.

CX: Qual a expectativa para a votação no Senado? Há receio de não aprovação?

MF: Os fundos de pensão devem monitorar a votação do Senado para ver como as propostas poderão ser eventualmente ajustadas. Embora, para o nosso setor o ideal seria que não houvesse mudanças que possam alterar substancialmente o texto aprovado pela Câmara, já sabemos que o Senado fará alterações. Diante disso, os fundos de pensão devem estar preparados para alterações que possam afetar seu regime tributário.

A decisão do Senado é crucial para o futuro tributário e operacional dos fundos de pensão. Esperemos que tal decisão não crie impactos negativos ao futuro de milhares de beneficiários e suas famílias.

CX: Como o convencimento dos deputados foi feito para alterar o texto?

MF: O processo de convencimento dos deputados para incluir a isenção dos fundos de pensão no novo texto da reforma tributária envolveu diversos aspectos e estratégias. Entre as principais, podemos ressaltar o diálogo permanente e a negociação, oportunidades em que representantes dos fundos de pensão, como Abrapp e APEP, discutiram os benefícios da isenção com parlamentares.

Tais negociações sempre foram amparadas em estudos e análises, com a apresentação de documentos de teor técnico detalhando os impactos positivos da isenção.

Também realizamos mobilizações de apoio, com base em campanhas e encontros com grupos de interesse no sentido de ampliarmos a pressão para a inclusão da isenção. Para tanto, contamos com o apoio de associações do setor e outras entidades relacionadas, ampliando a mobilização e a representatividade do interesse pela isenção tributária. Isso incluiu campanhas de conscientização, encontros com grupos de interesse, participação em audiências públicas e correspondências encaminhadas aos parlamentares.

Finalmente, fizemos argumentações sociais, oportunidades em que destacamos, além dos benefícios para a sociedade e dos benefícios diretos para os fundos de pensão, também o fato de como a isenção tributária pode contribuir para uma melhor estruturação da previdência complementar no Brasil, incentivando a poupança de longo prazo e reduzindo a dependência exclusiva da previdência social.

Em resumo, o convencimento dos deputados para a inclusão da isenção tributária dos fundos de pensão no novo texto da reforma tributária envolveu um esforço coordenado que combinou argumentos técnicos, negociações políticas e mobilização de apoio setorial para alcançar o consenso necessário na Câmara dos Deputados.

CX: Como essa medida pode impactar o funcionamento das entidades previdenciárias?

MF: Se confirmada, a isenção tributária terá vários impactos positivos e significativos para os fundos de pensão no Brasil. Vale enumerar todas as vantagens, a nosso ver.

  1. Redução da carga tributária sobre os investimentos e contribuições dos fundos de pensão. Essa é a principal vantagem.  Isso significa que os fundos terão mais recursos disponíveis para investir.
  2. Melhoria da rentabilidade: Com menos impostos a pagar, os fundos de pensão podem obter uma melhor rentabilidade líquida sobre seus investimentos. Isso é crucial para a sustentabilidade dos planos de previdência, pois contribui para o cumprimento das metas de retorno esperadas e garantir benefícios adequados aos participantes.
  3. Aumento da competitividade: A isenção tributária torna os fundos de pensão mais atraentes e competitivos em relação a outras opções de investimento e de previdência disponíveis no mercado. Isso pode atrair mais participantes e contribuintes, fortalecendo a base de financiamento dos fundos de pensão e aumentando sua capacidade de crescimento.
  4. Estímulo à poupança de longo prazo: Incentiva a poupança de longo prazo entre os trabalhadores, motivando-os a participar de planos de previdência complementar oferecidos pelos fundos de pensão. Isso é especialmente relevante em um contexto em que a previdência social enfrenta desafios demográficos e financeiros.
  5. Segurança e sustentabilidade financeira: Com uma carga tributária reduzida, os fundos de pensão podem ter uma maior previsibilidade financeira e ser capazes de planejar suas estratégias de investimento a longo prazo com mais segurança. Isso contribui para a estabilidade e sustentabilidade dos planos de previdência complementar.

Em resumo, a isenção tributária para os fundos de pensão representa um reconhecimento da importância dessas entidades na complementação da previdência social no Brasil. Os impactos positivos dessa medida podem fortalecer o setor de previdência complementar e beneficiar tanto os gestores dos fundos quanto os participantes que dependem desses planos para sua segurança financeira no futuro.

Em contrapartida, a não aprovação da isenção tributária para os fundos de pensão representaria um obstáculo significativo para o setor de previdência complementar, prejudicando sua capacidade de oferecer retornos competitivos aos participantes e de contribuir de forma eficaz para a segurança financeira dos trabalhadores na aposentadoria.

Importante ressaltar que, mesmo com essa isenção, os fundos de pensão ainda estarão sujeitos a outras normas tributárias e regulamentações. A medida, no entanto, reflete um reconhecimento da importância dos fundos de pensão na complementação da previdência social no Brasil e busca criar um ambiente mais favorável para o crescimento dessas entidades.

A reação do segmento de previdência complementar à aprovação da isenção, como um todo e não só para a APEP, será positiva, pois representa um passo significativo para melhorar o ambiente regulatório e fiscal desses fundos, favorecendo o desenvolvimento do setor e beneficiando tanto os gestores quanto os participantes dos planos de previdência.

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